Investigadores norte-americanos examinaram 7.548 amostras de doentes brasileiros com Covid-19 e identificaram uma mutação que provoca um aumento vertiginoso na letalidade do novo coronavírus, SARS-CoV-2.
<p>De acordo com um artigo publicado na revista Galileu, investigadores da Escola T.H. Chan de Saúde Pública, da Universidade de Harvard, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, identificaram pela primeira em vez em dezembro de 2020 uma mutação com a capacidade de modificar a proteína spike — usada pelo coronavírus para entrar e se fixar nas células humanas —, que tornava o agente infecioso ainda mais fatal. Os académicos juntaram-se assim com o intuito de iniciar um estudo de associação ampla do genoma do novo coronavírus Sars-Cov-2, causador da Covid-19, usando o método que é conhecido internacionalmente pela sigla GWAS. </p> <p>Na altura, a variante foi detetada em amostras de 7.548 amostras de pacientes brasileiros, presentes na plataforma internacional de dados genómicos GISAID.</p> <p>Posteriormente, explica a Galileu, essa mutação foi denominada de Gamma (P.1) ou 'variante de Manaus' e incluída na lista de 'Variantes de Preocupação' da Organização Mundial da Saúde (OMS). </p> <p>No estudo divulgado no jornal <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/gepi.22421" target="_blank">Genetic Epidemiology</a>, na passada terça-feira, dia 22 de junho, os autores do estudo apontam também que essa mutação foi associada a um grau impressionantemente veloz de transmissibilidade. Sendo atualmente, a estirpe predominante em todo o Brasil.</p> <p><a href="https://www.eurekalert.org/pub_releases/2021-06/htcs-mfg062221.php" target="_blank">Num comunicado</a>, Christoph Lange, professor de bioestatística na Escola T.H. Chan de Saúde Pública, disse: "com base em nossa experiência, a metodologia GWAS pode fornecer ferramentas adequadas que podem ser usadas para analisar ligações potenciais entre mutações em locais específicos em genomas virais e o resultado da doença.</p> <p>Acrescentando: "tal pode permitir uma melhor deteção em tempo real de novas mutações deletérias [consideradas desfavoráveis para o hospedeiro] e novas cepas virais em pandemias". </p> <p>O estudo destaca igualmente a importância da metodologia GWAS como uma ferramenta útil para detetar mutações virais mais transmissíveis em tempo real, tendo como base a análise de bancos dados de bancos genómicos, como é o caso do GISAID.</p> <p>"Esperamos também que essa abordagem funcione em cenários semelhantes envolvendo outras doenças, desde que a qualidade dos dados coletados em bancos de dados públicos seja suficientemente alta", afirmou, <a href="https://www.eurekalert.org/pub_releases/2021-06/htcs-mfg062221.php" target="_blank">em nota</a>, Georg Hahn, investigador associado e professor de bioestatística na Escola T.H. Chan de Saúde Pública e coprimeiro autor do estudo.</p>