Em meio a uma crise de acesso à comida e dos esforços das famílias para colocá-la na mesa, os governos estão convencidos de que a alimentação escolar é “uma forma poderosa e econômica de garantir o sustento de crianças vulneráveis”.
<p>A constatação é de um novo relatório do Programa Mundial de Alimentos, PMA, revelando que quase 420 milhões de crianças recebem o tipo de refeições em nível global.</p> <h2><strong>Crianças em situação de fragilidade</strong></h2> <p>O <a href="https://www.wfp.org/publications/state-school-feeding-worldwide-2022" target="_blank">Estado da Alimentação Escolar 2022</a>, divulgado nesta terça-feira, indica que as autoridades estão cientes de que as merendas são uma “forma poderosa e econômica” de assegurar que crianças em situação de fragilidade possam comer.</p> <p><img alt="Programas nacionais de merenda escolar cobrem cerca de 41% dos alunos em todo o mundo" src="https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/Collections/Embargoed/20-03-2023_WFP_Philippines.jpg/image1170x530cropped.jpg" style="height:530px; width:1170px" /></p> <p>© PMA/Rein Skullerud</p> <p> </p> <p>Programas nacionais de merenda escolar cobrem cerca de 41% dos alunos em todo o mundo</p> <p>A publicação destaca que o sul da Ásia tem a liderança em beneficiários entre regiões, com 125 milhões. A seguir estão a América Latina e Caribe, com 78 milhões, e o leste Asiático e Pacífico com 60 milhões.</p> <p>Na lista seguem-se Europa e Ásia Central com 54 milhões, África Subsaariana com 52 milhões, América do Norte com 30 milhões e Oriente Médio e Norte da África com 19 milhões.</p> <h2><strong>Garantir o futuro das crianças</strong></h2> <p>Para o PMA, as refeições escolares são uma rede de segurança vital para crianças e famílias vulneráveis numa realidade global com 345 milhões de pessoas enfrentando níveis críticos de fome, incluindo 153 milhões de crianças e jovens.</p> <p>O relatório destaca ainda que a indústria envolvendo quase US$ 50 bilhões em programas de alimentação escolar oferece uma oportunidade promissora para ajudar a garantir o futuro das crianças em todo o mundo.</p> <p>Um total de 75 governos faz parte de uma aliança que visa garantir que todas as crianças com acesso a uma alimentação diária nutritiva nos centros de ensino até 2030.</p> <p>A publicação assinala um esforço de autoridades para restaurar os programas de merenda gratuita após a interrupção da pandemia de Covid. O número de crianças com o tipo de alimentação em todo o mundo está agora 30 milhões acima do total de 2020, representando cerca de 41% de todas as crianças na escola.</p> <h2><strong>Diferenças entre nações</strong></h2> <p>Para a diretora de Programas Escolares do PMA, é uma boa notícia que governos estejam priorizando o bem-estar das crianças e investindo no futuro.</p> <p><img alt="Total de crianças com merenda escolar no mundo está agora 30 milhões acima do total de 2020" src="https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/Libraries/Production%20Library/01-03-2023_WFP_Ethiopia_school_meal.jpg/image1170x530cropped.jpg" style="height:530px; width:1170px" /></p> <p>© PMA/Michael Tewelde</p> <p> </p> <p>Total de crianças com merenda escolar no mundo está agora 30 milhões acima do total de 2020</p> <p>Para Carmen Burbano, “à medida que o mundo enfrenta uma crise alimentar global, que corre o risco de limitar o futuro de milhões de crianças, as refeições escolares têm um papel vital a desempenhar.”</p> <p>Em muitos dos países onde o PMA atua, a merenda que uma criança recebe no lugar em que estuda pode ser a única consumida naquele dia.</p> <p>A agência da ONU destaca as diferenças entre nações mais ricas, com 60% das crianças em idade escolar recebendo refeições, e em desenvolvimento, onde apenas 18% o fazem.</p> <h2><strong>Níveis pré-Covid</strong></h2> <p>Mesmo com a recuperação rápida na maioria das economias, o número de crianças alimentadas na escola em países de baixa renda ainda está 4% abaixo dos níveis pré-Covid, com os maiores declínios observados na África.</p> <p>A situação deve-se ao aumento pelos países de baixa renda do financiamento doméstico para o tipo de alimentação em cerca de 15% desde 2020.</p> <p>Certos países de baixa renda precisam de apoio porque não conseguiram reconstruir seus programas. Em oito nações africanas, menos de 10% das crianças em idade escolar recebem uma refeição gratuita ou subsidiada.</p> <p><img alt="Na África Subsaariana, cerca de 52 milhões de lunos receem merenda escolar" src="https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/Libraries/Production%20Library/24-02-2021-UNICEF-UN0368299-Uganda.JPG/image1170x530cropped.jpg" style="height:530px; width:1170px" /></p> <p>Unicef/Francis Emorut</p> <p> </p> <p>Na África Subsaariana, cerca de 52 milhões de lunos receem merenda escolar</p> <p> </p> <p>Os benefícios da merenda escolar vão desde a atracão de mais crianças para o ensino, com taxas de matrícula de 9% e de frequência de 8%. Especialmente as meninas aprendem melhor nesses locais ao mesmo tempo que as mantem saudáveis.</p> <h2><strong>Retorno para cada dólar investido</strong></h2> <p>Programas de alimentação escolar têm efeitos benéficos em setores como agricultura, educação, saúde, nutrição e proteção social, com US$ 9 em retornos para cada dólar investido.</p> <p>Quando estas iniciativas estão associadas aos pequenos agricultores locais, o PMA destaca benefícios as economias do campo e o apoiam aos sistemas alimentares mais sustentáveis.</p> <p>A agência estima que para cada 100 mil crianças alimentadas por meio do tipo de iniciativa, quase 1,4 mil empregos são criados. A massa laboral envolvida é de cerca de 4 milhões de postos em 85 países.</p> <p>Fonte: https://news.un.org/pt/story/2023/03/1811697</p>